Terça-feira, 27 de Março de 2007

Infância

Ainda sou do tempo de ter infância e de gostar de ser criança. Mas o romper com essa maneira de estar deu-se com a geração logo a seguir à minha.

 

Lembro-me de ser miúdo e de gostar e não desejar ser grande. Sabia que um dia haveria de lá chegar, mas que gostaria de aproveitar o que era até lá. Não tinha muitos amigos, mas dava para me divertir.

 

Lembro-me das grandes noitadas a jogar às escondidas, das conversas com os amigos até tarde…

 

Lembro-me das estações do ano que eram bem definidas. Lembro-me dos verões e das férias (hoje) intermináveis. Lembro-me dos Natais com a família e o encanto do Menino Jesus. Lembro-me de por o açúcar e a canela nas filhoses da minha Mãe. Lembro-me da ideia do sapatinho na sala à espera dos presentes.

 

Lembro-me do assobio do meu Pai, revelador que estava bem disposto… o problema era o assobio que mais parecia uma cana rachada…

 

Lembro-me do carro do meu Pai (Fiat850), obviamente, o meu carro favorito. Lembro-me de quando o carro começou a ter problemas e quem o empurrava era eu (durou mais de 30 anos!)…

 

Apanhei grandes molhas com o percurso a pé que fazia da escola para casa e vice – versa. Lembro-me das cheias de 1984 e da imaginação que tinha… muito mais tarde é que percebi o que eram as cheias, pois para mim aquilo era algo de muito estranho.

Lembro-me das férias passadas na Madeira, Nazaré e em Tróia… grandes temporadas!

 

Joguei muito ao berlinde e ao ‘papa – mundo’. Fiz brincadeiras de durar dias inteiros. Brinquei em pinhais, na casa dos outros, na minha casa, com sol ou sem sol, com chapéu ou sem chapéu. Se estivesse mais frio… brincava na mesma! E os Legos? Ai, os legos com que eu construía casas, pontes, estádios de futebol (sim, sim!) com todos os pormenores e tudo!

 

Bicicleta foi a minha companheira de aventuras longe de casa, distâncias que hoje parecem ser de 2/ 5 minutos de carro, de bicicleta pareciam eternidades maravilhosas…

 

Lembro-me que era normal brincar na rua, ou no quintal ou no pinhal, pois não havia perigo. Emprestávamos coisas uns aos outros sem se estragarem… que coisa tão rara!

 

De vez em quando, muito raramente, lá pegava no ZX Spectrum 48K do meu irmão e jogava alguns jogos, mas a diversão estava em brincar o dia inteiro, fora de casa… e vínhamos a casa para almoçar e era um custo!

 

Cheguei a sujar-me todo, levando raspanetes da minha Mãe. Brinquei com carros de rolamentos, cabanas, grutas, carros, bicicletas, paus. Cheguei a fazer colecção de beatas (é verdade, mas a colecção durou poucos minutos, pois a minha Mãe deitou-as fora), bilhetes de autocarro, de bilhetes de cinema e ainda tenho a colecção do meu irmão de bilhetes de futebol… fiz algumas colecções de cromos, de autocolantes e de notas de vários países.

 

Apesar de tudo isto, sempre fui bom aluno. E um filho obediente e certinho, bem – educado, com entendimento acertado.

 

Fui obrigado a crescer depressa. Muito depressa. Depressa demais para ser levado a sério. Ainda hoje, já com 27 anos e alguns cabelos brancos, continua a ser difícil que certas pessoas me levem a sério e me respeitem.

 

Quando tiver filhos (se os tiver), vou deixá-los crescer ao ritmo próprio. E, tentando complementar o meu carácter, vou acompanhá-los e crescer com eles o que me falta…

 

Por muito cuidado que se tenha na educação dos filhos, eles acabam sempre por se tornarem adultos” (Göste Rybrant)

Hoje estou: Fiu, fiu, fiu, fiiiiiu...
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publicado por Jv às 09:00
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1 comentário:
De ticha a 27 de Março de 2007 às 16:16
mt bonito!
tb me lembro várias vezes dos meus tempos de criança, onde tudo era tão fácil e tão puro.

tenho pena de que hoje em dias os putos não tenham 1/3 das experiências enriquecedores que nós tivemos :)

bjinho gajo!


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