Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007

Há dias...

... Em que as palavras brotam na boca como bolhinhas de gasosa, mas outros há em que se transformam em silêncio bruto, nu e cruel.

... Em que o o Silêncio parece ensurdecedor, mas o som de uma gargalhada é como um bálsamo, como um elixir.

... em que somos como um grito que acontece, ou como um lamúrio que se sussurra, ou uma palavra que se transmite.

... em que somos como  uma pedra, outros em que somos como barro.

... Em que o mar parece não ter fim e outros em que parece que o mar se mistura com o céu, no horizonte.

... Em que as palavras parecem não ter significado, mas outros em que parecem punhais afiados.

... em que o amor se sente, se vive e se deseja e outros em que o amor dói, magoa e fere.

... em que desejamos ser alguém, ter algo e poder fazer alguma coisa e outros em que preferimos escondermo-nos dentro de uma concha, enterrada na areia.

... Em que apetece escrever aqui no Blog e outros em que me apetece apenas escrever no meu bloco.

De tudo isto, só não deixo de escrever.

 

 

 

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publicado por Jv às 16:09
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Terça-feira, 4 de Setembro de 2007

Sentimentos - Cap. II

Pela primeira vez em toda a minha vida, não consegui beber totalmente o meu habitual vinho do Porto, que costumo bebericar antes de jantar. Algo, alguém fez-me ficar embasbacado, de tal maneira que com os seus olhos penetrantes e profundos, desviou-me toda a concentração e atenção... engasguei-me...

Mas que bela entrada, que fiz, pensei para comigo, tentando disfarçar a tosse que ainda me incomodava na garganta... É que realmente havia razões para ficar deste modo... no meio de tantos amigos do Abílio, havia uma “amiga” que me fez sair do restaurante, em espírito, por breves segundos. Seu nome era Sandra. Atlética, desportiva, mais ou menos da minha altura, de cabelos vigorosos, belos, brilhantes, fortes, castanhos, bem escuros e... compridos. Aquilo dava-me cá um prazer de olhar... e o resto (Meu Deus, obrigado por poder ver as coisas, obrigado porque me abres os olhos da mente e do Espírito, para que eu não perca nada, nem ninguém...), Fisicamente era aquilo que eu sempre desejara, mãos suaves e perfeitas, cuidadas, dentes brancos, olhos verdes, lábios cheios, sumarentos, uma voz rouca e sensual, pele suave, cheirosa... e o resto fica para mim e para minha recordação eterna...

Não consegui tirar os olhos dela. Quase não jantei... e o mais incrível, é que ela também! Não conseguia tirar os olhos de mim, e para onde eu olhava, ela olhava também com medo de... sabe-se lá do quê... já nem me lembrava do resto do pessoal que veio ao jantar! Só o Abílio continuava a segredar-me confidências ao ouvido, incitando-me a conhecer melhor a Sandra...

Mas esse nome já me havia deixado marcas... amor, um filho, e traição... repentinamente, algo, um vazio, um frio invadiu-me o Espírito... cheguei a ficar com medo... o que seria?!... olhei para a Sandra. Ela fitava a aliança na minha mão esquerda. Bolas! Porque não a tirei? Porque continuo com esta merda no dedo? O divórcio já foi à 6 meses...

Subitamente, Sandra levanta-se da mesa e com cara quase de choro sai do restaurante. Vou atrás dela...

“Tudo bem?”

“Sim... comigo está! Só precisei de um pouco de ar fresco...” – Balbuciou entre lágrimas, suspiros, e afrontamentos.

“Já agora apresento-me. Posso?”

“Se insiste...”

“Chamo-me Ivailo Stoimenov. Os meus amigos chamam-me Stoy. E tu?”

“Sandra. (respirou fundo) E os meus amigos chamam-me Sandra...”

(risos de parte a parte)

“Algum problema? Vejo uma lágrima a piscar-me o olho na tua cara...”

“Não, simplesmente, tenho aversão a ... al.... algumas coisas e...”

“E isso é razão para chorar? Basta dizeres que não queres isto e aquilo e...”

“Não é bem assim. Principalmente quando as coisas que não gosto estão nas mãos das outras pessoas...”

Nesse instante, olhei para as minhas mãos. Tirei a aliança e perguntei:

“É isto? É esta ‘coisa’ que não gostas e que está na mão da pessoa?”

Pensou um bocado e num tom baixo, humilde mas sensual disse:

“...Sim...”

Tirei a aliança do dedo, e guardei-a no bolso das calças. Expliquei-me:

“Sou divorciado. Isto é o hábito...”

“Mas quantos anos tens?”

“Não vais acreditar... 23.”

“Também eu...”

E olhando para a Lua que nos iluminava e aconchegava fomos interrompidos pelo Abílio:

“Tão, como é, pá? Este jantar é para ti, e tu pisgas-te, bacano? Ai  o caneco...”

E assim, ‘voluntariamente’ dirigimo-nos de volta ao restaurante...

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publicado por Jv às 17:00
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Terça-feira, 28 de Agosto de 2007

Sentimentos - Cap. I

Chovia muito... de tal maneira que por vezes não conseguia ver as árvores bradando clemência ao seu Criador pela chuva. O vento fustigava-as ainda mais. Sinto uma lágrima a correr pela minha cara... talvez um desejo... saudade... algo que começava a consumir a minha pobre, dolorida e penosa alma. Encosto-me à parede. Preciso de... apoio... um apoio... algo que não me deixe cair num Mar de tristeza que se começava a formar ao meu redor... tudo... todos... ninguém.

Olho as horas. Prontifico o meu cérebro a preparar-se para ordenar movimentos, talvez mesmo um pouco de acção, de modo a tentar sair da tristeza que me invade o coração...

Visto-me. Preparo-me para sair do meu mundo e entrar no mundo daqueles que me rodeiam, daqueles que parecendo normais, tentam ajudar, mas que só me empurram mais para as tristezas, e para as lembranças.

Sento-me no meu café favorito. Apolo. Sento-me igualmente na minha mesa do café favorita. Olho as horas... os meus companheiros devem de estar quase a chegar, penso, enquanto engulo um pouco do meu café. Pontualmente lá estavam.

Tema da conversa do dia: o passado. Não estava totalmente à vontade para falar nesse assunto. Tentava abordar o assunto, mas de uma forma mais simples, e de modo a não lembrar certas coisas... coisas essas que começavam a aparecer na minha mente...

A batalha era gigantesca! O esforço para não pensar nesses assuntos era tão grande que praticamente deixei de me relacionar na conversa do dia. Os meus companheiros, estavam de tal modo surpreendidos que a dada altura foram-se calando, um a um, e sustiveram o seu olhar crítico e penetrante contra mim. Estava a sentir-me perfurado..., observado, mas já não tinha forças para me resignar contra eles... desisti. Enfurecido balbuciei algumas atrocidades para eles de modo a fingir que estava normal. Mas não estava. A memória tinha sido invadida...

... Verão. Felicidade. Amor. Carinhos, beijos, saudade, praia, Sol, riso... eram estas as lembranças que me feriam o coração.

Finalmente Verão! Finalmente chegaram, altissonantes, as férias! Estava desejoso, pois ia para uma das minhas ilhas favoritas: Madeira.

Após uma viagem descansada, mas cansativa pela burocracia e pela espera, chego ao Aeroporto de Santa Catarina. Já é tarde. Depois de recolher as minhas malas, verifico se tenho alguém à minha espera. Tinha! Abílio, velho amigo, que quase não me reconhecia. É gratificante verificar que o tempo em algumas pessoas não tem efeito nem deixa marcas. O Abílio, é uma dessas pessoas.

Em amena cavaqueira vamos suavemente para o Funchal, mais precisamente para a Rua 31 de Janeiro, zona dos apartamentos das embaixadas. Eu iria ficar no apartamento da embaixada Brasileira. Um apartamento enorme: 2 salas, 6 quartos, 2 escritórios, 2 cozinhas, 2 casas – de – banho, e muitas varandas com vista para o mar, para a rua, para a praça, para o monte que volumoso se ergue na frente dos meus olhos.

Assim que entro pouso as malas e, ao mesmo tempo, convido Abílio a entrar e beber qualquer coisa.

“Não, deixa estar. Agora precisas é de te  instalar e de descansar um pouco. Mais logo venho buscar-te para irmos jantar e dar umas voltas na baixa.”

“Está bem. A que horas passas aí?”

“Por volta das oito está bem para ti?”

“Está óptimo.”

“Porreiro, então estamos combinados. Até logo.”

“Tchau. Até logo."

Depois de fechar a porta encostei-me à parede. Estava mesmo cansado. Nos últimos meses tinha-me esfalfado a trabalhar. Como enviado especial mal tinha tempo para respirar, muito menos em Timor. De qualquer modo, agora o mais importante era descansar muito, descontrair e divertir-me ainda mais. Mas primeiro que tudo tinha de arrumar as malas para então poder tomar um longo e saboroso banho de imersão.

Às oito horas em ponto Abílio tocou. Desci imediatamente.

“Então, onde vamos?”

“É surpresa!”

“Surpresa? Não me digas que me vais levar à Camacha?”

“Não, vamos a um restaurante novo que abriu ali no cais.”

“Não acredito. Não me digas que me vais levar àqueles barcos caríssimos? Aviso-te que não fico a lavar a loiça.”

“Qual quê! Este é muito em conta e vais ver que vais gostar. Agora a propósito, convidei uns amigos para lá irem ter connosco. Espero que não te importes.”

“Claro que não, desde que não sejam cheios de mania!”

“Nada disso. É tudo malta porreira.”

Mais uns minutos e acabámos por lá chegar. Realmente agora acreditava que Abílio tivesse razão. Aquele barco, ao contrário dos outros, tinha um ar bastante modesto e acolhedor. Uma pessoa sentia-se em casa assim que entrava. A decoração era simples mas de bom gosto, quase que fazia lembrar uma tasquinha. Via-se que era administrado por uma família ou por um grupo de amigos. A toda a volta, descorando as paredes, havia retratos recentes e antigos, juntamente com muitas relíquias relacionadas com o mar. As cadeiras e as mesas eram de madeira e o seu design era muito antiquado. Estas estavam cobertas com umas toalhas aos quadradinhos vermelhos e brancos e, aquelas tinham umas almofadinhas a condizer. Em cima de cada mesa estava uma vela, um pires de barro com azeitonas e outro com queijo. A completar o quadro havia uma cestinha em vime com pão da região. Adorei aquele sítio assim que passei a porta e sempre o hei-de recordar com um misto de saudade e de mágoa, por tudo o que lá se passou. O empregado, assim que nos viu entrar, veio logo receber-nos, sempre muito simpático e atencioso. Abílio afinal tinha reservado mesa… para dez pessoas! Como os outros ainda não tinham chegado fomo-nos sentando, e aproveitámos para bebericar um aperitivo.

“Que tal? O que é que achaste?”

“É pá, este sítio é um espanto. Juro-te que não estava nada à espera.”

“Eu bem te disse que ias gostar.”

“Mas ouve lá, que história é essa de teres reservado uma mesa para dez pessoas? Estás cansado de saber que não gosto nada de grandes confusões!”

“Não te preocupes. Este é o grupo de pessoal com quem costumo sair.”

“Hum, não sei se me convences.”

Entretanto, estava eu embalado para lhe continuar a ralhar as minhas dúvidas, fui interrompido por um grupo de malta que entrou. Eram os amigos do Abílio. De entre eles houve alguém que me chamou imediatamente a atenção.

Hoje estou: Inspirado
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publicado por Jv às 09:02
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