Quarta-feira, 21 de Março de 2007

Obrigado


Enterro, bem fundo na areia, os meus pés. Sinto essa frescura, sinto esse sabor, esse aroma que tantas recordações me trás e que me faz sentir só...


A água toca-me nas pernas, rompendo por entre rochas e obstáculos, chocando contra os meus tornozelos e refrescando sensações. Humm, como é bom sentir um sol de fim de dia a queimar-me a cara, sem vento, com a água morna a beijar-me os pés... só faltas tu para eu ter em quem me agarrar... ou até mesmo abraçar. Desvio bruscamente os pensamentos! As preocupações assolam-me, a todo o momento, a todo o segundo...


Não penso mais nisso. Simplesmente tento aproveitar a maravilhosa natureza que estou a desfrutar... sózinho. Meto as mãos nos bolsos. Agora sim, estava tudo perfeito. Sol, mar, areia, calma, tempo, mãos nos bolsos, Paz, sentimentos a chegarem à tona... estava tudo... quase perfeito. Faltas tu! Preferiste afastar-te, preferiste calar a voz do teu coração... preferiste fazer-me sofrer.


Tento não pensar mais em ti. Mas é impossivel! Eu vejo-te em tudo para onde olho! ainda oiço a tua voz rouca e sensual... ainda sinto o teu corpo encostado ao meu... ainda sinto as tuas mãos a afagarem-me o cabelo... ainda sinto o gosto dos teus beijos... o som do teu riso... ainda vejo o teu olhar profundo... o teu perfume, paira no ar! Tudo isso, vejo no mar. Sinto-te no mar. E como eu amo o mar, não te consigo esquecer. Não posso deixar-te... e ao mar também.


Mudo de pensamentos bruscamente, outra vez. Olho para o mar... para o horizonte... repentinamente oiço passos, volto-me e... não vejo ninguém! Mas as pegadas estão lá! Na areia! E estão a formar-se na minha direcção... Serás tu? Será que o teu pensamento está comigo também? Serás Tu? Que nunca me abandonas e sempre me ajudas? Não sei. A minha alma não me responde... Canta desenfreadamente, apenas, algo que ecoa nos meus ouvidos e que só eu oiço... ou não?...


Repentinamente o céu escurece, fica carregado, negro, feio, o mar torna-se inquieto, revolto, irritado, e começando a formar uma onda tremendamente gigante, se afasta de mim, enfurecido, aumentando a sua ira, naquela onda, capaz de me destruir... enraivecido avança na minha direcção... galgando rochas, pedras, obstáculos... toda a natureza pára, a minha alma pára de cantar, para ver o que iria acontecer... Chega o momento final, o barulho ensurdecedor da onda na minha direcção... onda mortífera, prestes a atingir-me e a destruir-me... e eu, impávido e sereno... já conformado com o que me iria acontecer... com as mãos nos bolsos... observo que a onda choca contra uma redoma, como que de vidro... invisível, que estava à minha volta. Foi grande o estrondo... como reacção, apenas fechei os olhos e quando os abri, verifiquei que o sol brilhava outra vez, como nunca, o mar... esse estava calmo, sereno... a natureza... continuou o seu curso normal... a minha alma... continuou a cantar, mas com nova entoação... Mas o mar... esse chegando-se devagarinho, voltou a beijar-me os tornozelos, talvez pedindo perdão...


Olhei em redor e ao meu lado lá estavam as pegadas que o mar não podia apagar, nem destruir.

Finalmente, uma lágrima escorreu-me pela minha cara, queimando-me na pele, imediatamente limpa por uma brisa que a secou...

"... Um sorriso no momento certo, é um coração tocado!..."


Hoje estou: LOLLL!
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publicado por Jv às 09:02
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